Cortando as figuras
Cortando o nó na garganta
Cortando as linhas dos limites
Cortando as pedras, contrariando o jogo
Cortando a pele fina
Cortando a saliva seca que esmaga
Cortando os vínculos
Cortando os cabelos
Cortando os olhos e os laços
Cortando, recortando, cortando de novo...
... Agora alguém me ensina a colar?
-
domingo, 12 de julho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Pela estrada...
A LETRA MAIS IMPORTANTE
"O menino uruguaio Joaquín de Souza está aprendendo a ler e pratica com os cartazes que vê. Ele acredita que a letra P é a mais importante, pois tudo começa com ela:
Proibido entrar
Proibido fumar
Proibido cuspir
Proibido estacionar
Proibido colar cartazes
Proibido jogar lixo
Proibido acender fogo
Proibido fazer ruído
Proibido..."
O Teatro do Bem e do Mal, de Eduardo Galeano.
-
sábado, 20 de junho de 2009
Por São Paulo e sua arte...
sábado, 13 de junho de 2009
Algo sobre manhãs e bombons
ELA - Não entendo o que acontece.
ELE - Tambem não.
ELA - Mas não é tão difícil entender.
ELE - É e não é...
ELA - Basta se esforçar um pouco e você vai saber me explicar.
ELE - Não sei se saberei.
ELA - Saberá, claro que saberá. Diga.
ELE - Bom...
ELA - O quê?
ELE - O quê o quê?
ELA - O que é bom?
ELE - Vai deixar eu continuar?
ELA - Fala logo.
ELE - Bom...
ELA - Mas você vai me dizer o que é bom, né?
ELE - Puta merda, tinha me esquecido como você é chata à vezes.
ELA - EU sou chata?!?! Ah, é?! Então quer dizer que agora EU sou chata... Você me chama aqui, em pleno dia dos namorados, 11 horas da noite, pra falar na minha cara que eu sou chata?
ELE - Não, não foi bem isso...
ELA - Também tinha me esquecido como você é grosso.
ELE - Pára! Deixa de ser exagerada! Vai deixar eu falar o porquê de você estar aqui ou não?
ELA - Tô me sentindo uma palhaça.
ELE - Então se sinta, mas apenas ouça.
ELA - PÁRA ! Deixa de ser grosso!! Não acha que já sofri demais com suas grosserias?!
ELE - Caralho, deixa eu falar!
ELA - Fala logo que eu quero ir embora. Meu tempo não é mais seu.
ELE - Então... é... é sobre isso que eu queria falar... É que, na verdade, hoje é dia dos namorados, né? E eu pensei, assim... em talvez... não sei, seria só uma idéia mesmo... Bom... já que nós estamos sozinhos, né... sei lá, pensei que seria legal se nós nos fizéssemos companhia... Não acha?
ELA - (tempo) É isso?
ELE - É.
ELA - Aonde é a cozinha?
ELE - Ahn?
ELA - Aonde é a cozinha??
ELE - Pra que você quer saber disso agora?
ELA - Pra pegar uma faca e te matar.
ELE - Que isso! To falando na boa!
ELA - (se acalma) Então, quer dizer que eu sou a resolução dos seus problemas!
ELE - Como assim?
ELA - Vamos lá: estava aqui você, sozinho, solitário, no dia dos namorados, precisando dar uma gozada, quando, de repente, lembrou-se de que existe uma ex-namorada, e que por sinal está sozinha também. Olha só que beleza! A isca perfeita pra uma trepada! Aí, resolveu ligar pra ela e ela, boazinha como sempre, pegou o carro às 11 da noite e, correndo perigo no Rio de Janeiro, veio até aqui, só pra ouvir o que você tem a dizer. Mas, que bela surpresa, caros amigos! Na verdade, essa pobre mulher se despencou de copacabana à tijuca, apenas queria ser comida por ele!
ELE - Não é nada disso...
ELA - E então, decepcionada, arrasada, ou qualquer outro adjetivo que mostre o quão "pedaço de qualquer coisa" ela está se sentindo, vira-se para a direita e vai embora decidida, pra nunca mais voltar. ( e vai saindo)
ELE - Calma! Calma!! Não vai embora assim! (pega-a pelo braço)
ELA - Me larga. Você não tem mais nada pra falar comigo.
ELE - Tenho sim.
ELA - Eu não quero ouvir, dane-se o que for!
ELE - Eu te amo.
Silêncio por um tempo. ELA chora.
ELE - Caralho, Eduarda! Eu só te chamei aqui porque queria você ao meu lado, será que você não percebe isso? Por que é que você tem que entender justamente o contrário?? Por que é que você sempre entende o contrário?? (pausa) Sabe por quê você tá aqui, Eduarda, sabe? Você tá aqui porque sinto sua falta. Você tá aqui porque não sei viver sem você! Esse tempo sozinho me deixou tão mal... Quero nossa casa de volta, nosso cantinho, nossas gargalhadas, nossos beijos... Quero ter filhos com você!! Quero!! Eu sempre disse que eu não queria, eu sei, mas esse tempo me fez ter outra opnião! Esse tempo me fez querer ter uma família, uma vida de um homem casado... e a mãe dos meus filhos, Eduarda, na minha imaginação, só podia ser você! Só você! Eu te amo tanto... Não sei mais respirar sem tua lembrança. Quando vou à praia, lembro de você... quando vou ao shopping, lembro de você...quando vou ao cinema, lembro de você... quando como comida mexicana lembro de você... Não sei viver com tua ausência! Por favor, Eduarda, me entenda... Te quero tanto ao meu lado, pra sempre... Te amo... Te amo...
Tempo.
ELA - Meu nome não é Eduarda. (bate a porta)
FIM.
ELE - Tambem não.
ELA - Mas não é tão difícil entender.
ELE - É e não é...
ELA - Basta se esforçar um pouco e você vai saber me explicar.
ELE - Não sei se saberei.
ELA - Saberá, claro que saberá. Diga.
ELE - Bom...
ELA - O quê?
ELE - O quê o quê?
ELA - O que é bom?
ELE - Vai deixar eu continuar?
ELA - Fala logo.
ELE - Bom...
ELA - Mas você vai me dizer o que é bom, né?
ELE - Puta merda, tinha me esquecido como você é chata à vezes.
ELA - EU sou chata?!?! Ah, é?! Então quer dizer que agora EU sou chata... Você me chama aqui, em pleno dia dos namorados, 11 horas da noite, pra falar na minha cara que eu sou chata?
ELE - Não, não foi bem isso...
ELA - Também tinha me esquecido como você é grosso.
ELE - Pára! Deixa de ser exagerada! Vai deixar eu falar o porquê de você estar aqui ou não?
ELA - Tô me sentindo uma palhaça.
ELE - Então se sinta, mas apenas ouça.
ELA - PÁRA ! Deixa de ser grosso!! Não acha que já sofri demais com suas grosserias?!
ELE - Caralho, deixa eu falar!
ELA - Fala logo que eu quero ir embora. Meu tempo não é mais seu.
ELE - Então... é... é sobre isso que eu queria falar... É que, na verdade, hoje é dia dos namorados, né? E eu pensei, assim... em talvez... não sei, seria só uma idéia mesmo... Bom... já que nós estamos sozinhos, né... sei lá, pensei que seria legal se nós nos fizéssemos companhia... Não acha?
ELA - (tempo) É isso?
ELE - É.
ELA - Aonde é a cozinha?
ELE - Ahn?
ELA - Aonde é a cozinha??
ELE - Pra que você quer saber disso agora?
ELA - Pra pegar uma faca e te matar.
ELE - Que isso! To falando na boa!
ELA - (se acalma) Então, quer dizer que eu sou a resolução dos seus problemas!
ELE - Como assim?
ELA - Vamos lá: estava aqui você, sozinho, solitário, no dia dos namorados, precisando dar uma gozada, quando, de repente, lembrou-se de que existe uma ex-namorada, e que por sinal está sozinha também. Olha só que beleza! A isca perfeita pra uma trepada! Aí, resolveu ligar pra ela e ela, boazinha como sempre, pegou o carro às 11 da noite e, correndo perigo no Rio de Janeiro, veio até aqui, só pra ouvir o que você tem a dizer. Mas, que bela surpresa, caros amigos! Na verdade, essa pobre mulher se despencou de copacabana à tijuca, apenas queria ser comida por ele!
ELE - Não é nada disso...
ELA - E então, decepcionada, arrasada, ou qualquer outro adjetivo que mostre o quão "pedaço de qualquer coisa" ela está se sentindo, vira-se para a direita e vai embora decidida, pra nunca mais voltar. ( e vai saindo)
ELE - Calma! Calma!! Não vai embora assim! (pega-a pelo braço)
ELA - Me larga. Você não tem mais nada pra falar comigo.
ELE - Tenho sim.
ELA - Eu não quero ouvir, dane-se o que for!
ELE - Eu te amo.
Silêncio por um tempo. ELA chora.
ELE - Caralho, Eduarda! Eu só te chamei aqui porque queria você ao meu lado, será que você não percebe isso? Por que é que você tem que entender justamente o contrário?? Por que é que você sempre entende o contrário?? (pausa) Sabe por quê você tá aqui, Eduarda, sabe? Você tá aqui porque sinto sua falta. Você tá aqui porque não sei viver sem você! Esse tempo sozinho me deixou tão mal... Quero nossa casa de volta, nosso cantinho, nossas gargalhadas, nossos beijos... Quero ter filhos com você!! Quero!! Eu sempre disse que eu não queria, eu sei, mas esse tempo me fez ter outra opnião! Esse tempo me fez querer ter uma família, uma vida de um homem casado... e a mãe dos meus filhos, Eduarda, na minha imaginação, só podia ser você! Só você! Eu te amo tanto... Não sei mais respirar sem tua lembrança. Quando vou à praia, lembro de você... quando vou ao shopping, lembro de você...quando vou ao cinema, lembro de você... quando como comida mexicana lembro de você... Não sei viver com tua ausência! Por favor, Eduarda, me entenda... Te quero tanto ao meu lado, pra sempre... Te amo... Te amo...
Tempo.
ELA - Meu nome não é Eduarda. (bate a porta)
FIM.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Do It
Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta2x
Se sujou, cai fora
Se da pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora2x
Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite
Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance2x
Se tá puto, quebre
Tá feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre2x
Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure2x
Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele
Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
E não se submeta2x
do it - lenine
sábado, 9 de maio de 2009
Os maiores absurdos do mundo
SECA REVELA LIXO ACUMULADO NAS CATARATAS DE FOZ DO IGUAÇU
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/07/seca-revela-lixo-acumulado-nas-cataratas-de-foz-do-iguacu-755737565.asp
SOBE PARA 106 O NÚMERO DE MUNICÍPIOS EM EMERGÊNCIA POR CAUSA DA SECA EM SANTA CATARINA
(No Rio Grande do Sul, são 192 municípios em situação de emergência)
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/08/sobe-para-106-numero-de-municipios-em-emergencia-por-causa-da-seca-em-santa-catarina-755772553.asp
RIO NEGRO SOBE 3 CENTÍMETROS E COMEÇA A ATINGIR CENTRO HISTÓRICO DE MANAUS; CRIANÇAS SE AFOGAM NAS ÁGUAS DO RIO AMAZONAS
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/08/rio-negro-sobe-3-centimetros-por-dia-comeca-atingir-centro-historico-de-manaus-criancas-se-afogam-nas-aguas-do-rio-amazonas-755767984.asp
EM WASHINGTON, O MESMO BLA BLA BLÁ DE SEMPRE - REVISTA ONLINE GREENPEACE
http://www.greenpeace.org/brasil/greenpeace-brasil-clima/noticias/chegou-a-hora-dos-maiores-polu
-
Seca no sul, enchente no Norte, lixo até nas Cataratas de Foz do Iguaçu. E, em Washignton, o mesmo bla bla blá.
Que vergonha...
SEM MAIS.
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/07/seca-revela-lixo-acumulado-nas-cataratas-de-foz-do-iguacu-755737565.asp
SOBE PARA 106 O NÚMERO DE MUNICÍPIOS EM EMERGÊNCIA POR CAUSA DA SECA EM SANTA CATARINA
(No Rio Grande do Sul, são 192 municípios em situação de emergência)
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/08/sobe-para-106-numero-de-municipios-em-emergencia-por-causa-da-seca-em-santa-catarina-755772553.asp
RIO NEGRO SOBE 3 CENTÍMETROS E COMEÇA A ATINGIR CENTRO HISTÓRICO DE MANAUS; CRIANÇAS SE AFOGAM NAS ÁGUAS DO RIO AMAZONAS
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/08/rio-negro-sobe-3-centimetros-por-dia-comeca-atingir-centro-historico-de-manaus-criancas-se-afogam-nas-aguas-do-rio-amazonas-755767984.asp
EM WASHINGTON, O MESMO BLA BLA BLÁ DE SEMPRE - REVISTA ONLINE GREENPEACE
Para o Greenpeace, o encontro que reuniu as 17 nações mais poluentes do mundo para discutir o futuro da política climática do planeta foi uma perda de tempo. Embora não esteja formalmente ligado às negociações da ONU sobre o clima, o Fórum era considerado pela administração Obama como um meio de acelerar e facilitar o processo de elaboração do documento que sucederá o Protocolo de Quioto. Esse novo acordo deverá ser finalizado no final deste ano em Copenhagen, na Dinamarca.
“A falta de liderança das maiores economias, sejam elas dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento colocam em risco a nossa capacidade de responder aos desafios das mudanças climática e atender as expectativas daqueles que já vivem seus impactos. Temos apenas alguns meses até a reunião de Copenhagen, os líderes mundiais da Europa, Estados Unidos, Brasil China e Índia têm que passar do discurso para a ação”, afirma Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace.
Nessa discussão, cabe ao Brasil: zerar o desmatamento até 2015, aumentar o percentual de geração de energia por fontes renováveis e proteger os oceanos por meio da criação áreas marinhas protegidas. O Brasil precisa agir com coerência. “Não adianta anunciar um plano de mundanças climáticas e impressionar a comunidade internacional, com a promessa de salvar a Floresta Amazônica e, logo depois, aprovar a construção da rodovia BR 319, na Amazônia, ou atender ao pleito de ruralistas radicias apoiando a mudança do código florestal”, completa Furtado.
Ontem (27/4), primeiro dia da reunião, ativistas do Greenpeace penduraram banner pressionando os 17 países participantes a fecharem um acordo climático justo e sólido, se quisermos salvar o planeta.
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Seca no sul, enchente no Norte, lixo até nas Cataratas de Foz do Iguaçu. E, em Washignton, o mesmo bla bla blá.
Que vergonha...
SEM MAIS.
sábado, 2 de maio de 2009
Decisão
Ela bufou. Fechou os olhos e respirou a escuridão funda. Não aguentava mais o som do ronco dele, era o barulho mais irritante que já escutara. A cada dia ficava pior. O estardalhaço inconsciente dele arravanha os ouvidos dela e a inundava de impaciência. 5 anos aguentando a mesma coisa; o mesmo beijo, o mesmo jeito, a mesma cama, a mesma chatisse... Sentiu vontade de gritar. Uma lágrima caiu. Teria que se separar dele? Será que essa seria a única solução? Sentiu um aperto no peito. João acima de tudo era um homem bom, ela sabia disso. Ele era atencioso, paciente, correto - até demais - , educado, carinhoso... A família dela inteira gostava dele. Seu avô fazia questão de lembrá-la que futuro pai como ele, não haveria de ter. Depois de viver a infância chorando as indiferenças de seu pai, ela tinha se prometido que daria uma paternidade decente à sua próxima geração. E é isso que faria.
Mudou de idéia.
Não havia cabimento se separar de João, e nem tempo para a separação. O mais importante era seu filho, que ainda nem tinha chegado e nem estava pra vir, mas que um dia estaria entre nós e isso era o mais importante. Ponto.
Virou de lado, tentando esquecer o barulho que vinha da boca dele. Procurou a calma em vários carneirinhos e cerquinhas, mudou a posição dos braços, colocou o travesseiro na orelha de cima; tudo em vão. João não calava a boca, e Mariana não conseguia dormir. Sentiu vontade de acordá-lo só para mandá-lo pr'aquele lugar. "Não, não, não perca as estribeiras, Mariana", pensou. "Seu filho, que ainda nem chegou e nem está pra vir, mas que um dia estará entre nós precisará de um pai bom, é isso que importa". Tentou relaxar... lembrou que bom pai ele seria... sentiu-se mais calma. Bom. Agora tudo estava tranquilo, a não ser o barulho do ronco de João... Esse barulho... Esse mesmo barulho de 5 anos... "essa mesma boca de 5 anos... boca que sai barulho, boca que eu toco, boca que eu beijo, boca que pronuncia o meu nome, boca que ronca..." Mariana se sentiu enojada. Boca que ronca é demais. Virou para o lado procurando esquecer a expressão que tinha lhe vindo à cabeça e sentiu, naquele momento, exatamente naquele momento, o CHEIRO do ronco. Chega. Era totalmente necessário fugir dali. Pensou no filho. Mas, afinal, que filho? Deciciu não sofrer por algo que ainda nem tinha acontecido. Abriu sua mala, enfiou algumas roupas dentro. Colocou a primeira roupa que viu à sua frente, pegou a carteira, verificou dinheiro, cartão, cheque. Abriu a porta. Parou. Voltou, pegou um pedaço de papel qualquer que tinha em cima da escrivaninhae uma caneta do bob esponja. Acendeu o abajour e pôs-se a escrever:
"Não disperdice tempo; não tente entender. Fui embora e não penso em voltar, nem pra pegar o resto das roupas. Cuida bem da Lolô, não esquece
que ela come três vezes ao dia a ração que está em cima da geladeira. Se não quiser ficar com ela, tudo bem, mas não me procure para me devolvê-la.
Não me procure em hipótese alguma. Desulpe por isto... Mas acho que já era a hora. Fique em paz."
Colocou o bilhete num lugar à vista, apagou o abajour e bateu a porta.
Uma semana depois, descobriu que estava grávida.
-
Mudou de idéia.
Não havia cabimento se separar de João, e nem tempo para a separação. O mais importante era seu filho, que ainda nem tinha chegado e nem estava pra vir, mas que um dia estaria entre nós e isso era o mais importante. Ponto.
Virou de lado, tentando esquecer o barulho que vinha da boca dele. Procurou a calma em vários carneirinhos e cerquinhas, mudou a posição dos braços, colocou o travesseiro na orelha de cima; tudo em vão. João não calava a boca, e Mariana não conseguia dormir. Sentiu vontade de acordá-lo só para mandá-lo pr'aquele lugar. "Não, não, não perca as estribeiras, Mariana", pensou. "Seu filho, que ainda nem chegou e nem está pra vir, mas que um dia estará entre nós precisará de um pai bom, é isso que importa". Tentou relaxar... lembrou que bom pai ele seria... sentiu-se mais calma. Bom. Agora tudo estava tranquilo, a não ser o barulho do ronco de João... Esse barulho... Esse mesmo barulho de 5 anos... "essa mesma boca de 5 anos... boca que sai barulho, boca que eu toco, boca que eu beijo, boca que pronuncia o meu nome, boca que ronca..." Mariana se sentiu enojada. Boca que ronca é demais. Virou para o lado procurando esquecer a expressão que tinha lhe vindo à cabeça e sentiu, naquele momento, exatamente naquele momento, o CHEIRO do ronco. Chega. Era totalmente necessário fugir dali. Pensou no filho. Mas, afinal, que filho? Deciciu não sofrer por algo que ainda nem tinha acontecido. Abriu sua mala, enfiou algumas roupas dentro. Colocou a primeira roupa que viu à sua frente, pegou a carteira, verificou dinheiro, cartão, cheque. Abriu a porta. Parou. Voltou, pegou um pedaço de papel qualquer que tinha em cima da escrivaninhae uma caneta do bob esponja. Acendeu o abajour e pôs-se a escrever:
"Não disperdice tempo; não tente entender. Fui embora e não penso em voltar, nem pra pegar o resto das roupas. Cuida bem da Lolô, não esquece
que ela come três vezes ao dia a ração que está em cima da geladeira. Se não quiser ficar com ela, tudo bem, mas não me procure para me devolvê-la.
Não me procure em hipótese alguma. Desulpe por isto... Mas acho que já era a hora. Fique em paz."
Colocou o bilhete num lugar à vista, apagou o abajour e bateu a porta.
Uma semana depois, descobriu que estava grávida.
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