Olha o sapatinho dessa menina
que saltita
numa Copacabana preto e branca
com cabelos enrolados de Gilda
vive os 18 anos dos anos 40
o pezinho no volante
a sombra da chuva no corpo
mão na mão
ai que flor no estômago!
a vejo num óculos de gatinho
minha Sara, minha querida
te viver é ter poder atemporal
danço um jazz arrumando nosso quarto
Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Benny Goodman
e me visto pra você, menina
uso nossa saia rosa
fumo alguns cigarros contigo
você me leva na candura
meu doce, meu frescor
tua virgindade é minha também
ai dele que a tira
e atira pra qualquer lado
mas disso já não posso te proteger
está escrito, Sarinha
é teu destino
posso estar contigo
dou meu corpo por você
prometo te encaixar em mim
assim você nunca morre
nem quando o corte se fizer
nem quando eu virar cinzas
porque tua história
pequena só pra quem vê
é cravada em filme, meu bem
e filmes são assim; eternos
então, ficamos combinadas
tu me emprestas o passado
que eu te carrego pro sem fim.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Esperando o que
Esperando o que não tem, tendo o que não vem, bagunçando a fronha num desmaio sem sono.
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terça-feira, 25 de maio de 2010
17 anos de casamento
sentou-se na cama
olhou o horizonte
da parede pálida
enxugou o rosto
algumas rugas de dor
res{pira}.
vejo suas costas
subindo
descendo
prende
o
ar...
solta
o
ar...
lenta.
tenta.
pensa
nesse amor que nunca foi
mas que sempre está
está
e estraga
e fica e fica e fica e fica
olhou o horizonte
da parede pálida
enxugou o rosto
algumas rugas de dor
res{pira}.
vejo suas costas
subindo
descendo
prende
o
ar...
solta
o
ar...
lenta.
tenta.
pensa
nesse amor que nunca foi
mas que sempre está
está
e estraga
e fica e fica e fica e fica
e faca
como poda!
como pode?
quase duas décadas
de vácuo entre sexos
num espaço desencaixado
duas carnes sem nenhuma unha
uma flor e uma cerveja
um tecido e um grito
uma árvore e um bar
essa falta de vontade um do outro
é o abandono a si próprio
falta de suor à dois
embaixo do mesmo ventilador
ventilando a dor que sente
vem tirando tudo
{menos a roupa}
ela não ousa
dar adeus
e à deus dá
sua vida
avalia e inválida se vê
sem via
nem ida
ela arruma a casa
ele chega à noite
se acomoda
com todo o corpo
e fica e fica e fica e fica
vivendo no sofá
em frente à TV tudo se esquece
e se repete
futebol e carne aos domingos
então, tudo certo
ele bebe, ela limpa
e se promete acabar com tudo
mas amanhece e esquece
chora,
mas permanece.
como poda!
como pode?
quase duas décadas
de vácuo entre sexos
num espaço desencaixado
duas carnes sem nenhuma unha
uma flor e uma cerveja
um tecido e um grito
uma árvore e um bar
essa falta de vontade um do outro
é o abandono a si próprio
falta de suor à dois
embaixo do mesmo ventilador
ventilando a dor que sente
vem tirando tudo
{menos a roupa}
ela não ousa
dar adeus
e à deus dá
sua vida
avalia e inválida se vê
sem via
nem ida
ela arruma a casa
ele chega à noite
se acomoda
com todo o corpo
e fica e fica e fica e fica
vivendo no sofá
em frente à TV tudo se esquece
e se repete
futebol e carne aos domingos
então, tudo certo
ele bebe, ela limpa
e se promete acabar com tudo
mas amanhece e esquece
chora,
mas permanece.
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sábado, 22 de maio de 2010
Ficamos combinados
Quando a coisa boba ir embora,
Pode ir também, meu bem
Pode ir também
E quando a breguisse não cantar mais alto
Pode ir também, querido
Pode ir também
E quando o pelo não subir no beijo
Quando o olho não quiser mais,
E o repetido ficar repetido demais
E os dias de chuva não sugerirem à nós o que sugerem aos casais
E à dois não sermos ridículos
E despidos não termos mais vícios
E quando o altar já não significar o eterno
E o pra sempre for sempre pra depois
E ao olhar na janela o sol já se pôs
Já era, já foi
Então você vai embora, meu amor
Você vai e eu vou
Encontrar outro ardor
Assim mesmo, sem temor
Não é porque a vida é curta não
É porque sem isso eu não sei quem sou...
Pode ir também, meu bem
Pode ir também
E quando a breguisse não cantar mais alto
Pode ir também, querido
Pode ir também
E quando o pelo não subir no beijo
Quando o olho não quiser mais,
E o repetido ficar repetido demais
E os dias de chuva não sugerirem à nós o que sugerem aos casais
E à dois não sermos ridículos
E despidos não termos mais vícios
E quando o altar já não significar o eterno
E o pra sempre for sempre pra depois
E ao olhar na janela o sol já se pôs
Já era, já foi
Então você vai embora, meu amor
Você vai e eu vou
Encontrar outro ardor
Assim mesmo, sem temor
Não é porque a vida é curta não
É porque sem isso eu não sei quem sou...
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Eu, inspirando-me nessa solidão à dois que vejo.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010
Pra você, branca de neve.
Quase morta, porém sentada
Ouvia a poesia musicada
Vinda da boca de, veja quem - era só o que lhe faltava!
Dessa afinação irritantemente feminina
Que lhe dói mais que faca afiada
E arranha mais que unha de gato
Quase aos berros, porém calada
Socialmente e totalmente obrigada
Boneca de olhos grandes
Pele branca e cachos pretos
Arregalada em silêncio
Contida a quem não devia
Quase em fúria, porém moldada
À coerência - maldita coerência
Não batia palmas
Não sorria e nem cantava
Posada, podada, lacrada
Num ritmo próprio
E totalmente descompassada...
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
Alice
Quem é essa que chora
De barriga de fora
E gira sem forma
Como um frango de padaria
Uma artista ou um produto
Que se enrola numa faixa
E se entrega cheio de graça
Aos bares, festas e casas
Quem é essa que foge
Que por não se jogar da janela
Se joga fora
Ela se leva embora
Palidamente em branco
Sem estampa
Se tampa
Quem são essas duas olheiras
Que por ela não olham
Essas unhas, esses cabelos
Esses dentes
Que olham, pedem, exigem
Pidões!
E essa ela que não é?
E morre de medo do que pode ser?
Quem sou essa que não sabe?
Que discurso é esse que sou?
De onde surgiu tanta palavra?
O que faço com o não que dou?
O sonho já se embolou com tantos sonhos
Que tem dúvidas de que sonho é (ou são!).
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De barriga de fora
E gira sem forma
Como um frango de padaria
Uma artista ou um produto
Que se enrola numa faixa
E se entrega cheio de graça
Aos bares, festas e casas
Quem é essa que foge
Que por não se jogar da janela
Se joga fora
Ela se leva embora
Palidamente em branco
Sem estampa
Se tampa
Quem são essas duas olheiras
Que por ela não olham
Essas unhas, esses cabelos
Esses dentes
Que olham, pedem, exigem
Pidões!
E essa ela que não é?
E morre de medo do que pode ser?
Quem sou essa que não sabe?
Que discurso é esse que sou?
De onde surgiu tanta palavra?
O que faço com o não que dou?
O sonho já se embolou com tantos sonhos
Que tem dúvidas de que sonho é (ou são!).
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Essa minha mania
É que eu tenho essa mania de correr do tempo. Fugir das buzinas da cidade e das altas velocidades que me lembram que a vida passa. Corro dos movimentos e dos espelhos. Quero a vargem grande, a quase paralisada bicicletinha da esquina, o burro de carga que anda pronto só pra um descanso. Escolho a parte que respira, a que não se sente passada pra trás, porque só caminha. De costas pra tv, faço o favor de mentir pra mim mesma; assim não me sufoco. Ao passo que finjo que nada acontece lá fora, tudo pode acontecer aqui dentro. Então desenvolvo no silêncio e no escuro, onde a referência é só palavra.
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