segunda-feira, 22 de março de 2010

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Madrugada de olho arregalado
No gargalo bebo o breu
Nesse eu que não sai de mim
Vai, enfim, loucura
Injúria sem cura
Doçura em fúria
Procura deserta, tristeza
Memória obesa e esperta
Pesa, pula, inquieta, fura
Faz do tombo, rombo
Arroubo de inquietação
Prisão, roubo como acusação
Causa e culpa procuram conclusão
Assassinaram o segredo
Enredo assinado pelo medo
Coroada em erro do topo do muro
Esmigalhada caio em chão duro
No escuro pela mão me retiro
E me reviro, então, em puro
Pó.

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

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Dente de dor

Junto à lágrima que

Escorre...

Doída, doída, coitada

Chega ao queixo sem esforço

E os dentes ali, arreganhados

Joelhos no chão

Berros no teto

A culpa e o sofrimento

Repartindo o mesmo cômodo

Parede-teto-chão

A tinta que cobre a poesia

O lado da cama agora é meio

A parte que foi parte o que fica

Mas se o que fica é o fim e é no fim que se acaba

Não se pode reparar o que partiu

Porque o que parte já não há

E o que não há já não pode se partir

O preço da moradia é o choro

Lá se vem uma outra lágrima de companhia

E mais outra, e outra...

Todas rolando na dor, juntas

Compadecendo-se entre si

A segunda vê a primeira se suicidando olho a fora

E atrás se também joga

Toda gota nasce pra morrer

E se a traição humana existe

As lágrimas sabem reparar por nós:

Elas secam na fidelidade.



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sábado, 12 de dezembro de 2009

Ela a Outra e Eu


Pois é, nosso filho nasceu!
"Ela a Outra e Eu" é escrito por mim,
e Michelly Barros ( www.parambolicalalande.blogspot.com ),
minhas amigas do peito!

O livro bateu recorde de vendas em lançamento na Livraria da Travessa, Barra Shopping!

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

z.E.u.

Em pé.

Derruba críticas

pensamentos

opiniões

Milhares deles.

Batalha de cara erguida

Joga o jogo do teatro limpo

Esparrama seu monólogo preciso

Explode na inteligência

Brota sorriso na arte

Bota gargalhada no público

Essa tua sinceridade cômica

Enche a barriga dessa gente de alegria

Enquanto eu esvazio a sua

Sou a sua piada de mal gosto

Sua cena mais trágica

Faço chorar quem faz rir

Te tiro do teu raciocínio

Te juro palavra

Te faço pássaro

E te fuzilo no céu.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O fim.


A audácia de cravar o fim

Pôr as mãos no tempo

E arrancá-lo da sua função

De dividir o passado do presente

Levantar o sonoro NÃO

Emuralhar o beijo

Emoldurar o amor

Embrulhar o que foi

E não levar pra viagem

Secar o que fica

Afinar o que resta

Esfarelar o que sobra

Usar mãos de faca

E cravar o fim.

O fim.


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sábado, 14 de novembro de 2009

Giz Azul



O giz de cera azul desenhava as letras

E ela tentava, delicada, alinhar as linhas

Na parede não-uniforme

Do apartamento não-retilíneo

E a dificuldade se estendia a cada abaixada

E a cada agachada, um equilíbrio

E a cada traço, uma palavra

E no rodapé, um suor...

Ao término, orgulho

Leu a nova estampa do corredor

Letras pra quem passasse passageiro

Poesia pra quem parasse, passageiro

Ousou, escreveu, criou

Olhou, leu, reparou

Entendeu.

Que corredor era aquele?

Onde teria escrito tanto amor?

Com qual permissão?

Pichadora amadora

Escrevendo escondida

No apartamento do vizinho.


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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Abraço de estrada



Cinza céu azul cor de leite

Asfalto brancocinzaazul

Fim de tarde sem lilás

Nublando em sintonia

Opostos no mesmo tom

Uma pintura que se move

De um Picasso triste

Contagiando a estrada

Com alguma doença

Azul não-sadio

Azul como eu.


Deitei no asfalto

Achando que era o céu.


Cinco minutos de atraso

De algum controlador de luz

E com os postes apagados

Eu pude assistir enfim

Céu e asfalto fazendo amor.


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