quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

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Dente de dor

Junto à lágrima que

Escorre...

Doída, doída, coitada

Chega ao queixo sem esforço

E os dentes ali, arreganhados

Joelhos no chão

Berros no teto

A culpa e o sofrimento

Repartindo o mesmo cômodo

Parede-teto-chão

A tinta que cobre a poesia

O lado da cama agora é meio

A parte que foi parte o que fica

Mas se o que fica é o fim e é no fim que se acaba

Não se pode reparar o que partiu

Porque o que parte já não há

E o que não há já não pode se partir

O preço da moradia é o choro

Lá se vem uma outra lágrima de companhia

E mais outra, e outra...

Todas rolando na dor, juntas

Compadecendo-se entre si

A segunda vê a primeira se suicidando olho a fora

E atrás se também joga

Toda gota nasce pra morrer

E se a traição humana existe

As lágrimas sabem reparar por nós:

Elas secam na fidelidade.



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sábado, 12 de dezembro de 2009

Ela a Outra e Eu


Pois é, nosso filho nasceu!
"Ela a Outra e Eu" é escrito por mim, Lara Gay ( www.eraazulevoava.blogspot.com ) e Michelly Barros ( www.parambolicalalande.blogspot.com ), minhas amigas do peito!

O livro bateu recorde de vendas em lançamento na Livraria da Travessa, Barra Shopping!

JÁ A VENDA NA LIVRARIA DA TRAVESSA E EM NOSSO BLOG




terça-feira, 8 de dezembro de 2009

z.E.u.

Em pé.

Derruba críticas

pensamentos

opiniões

Milhares deles.

Batalha de cara erguida

Joga o jogo do teatro limpo

Esparrama seu monólogo preciso

Explode na inteligência

Brota sorriso na arte

Bota gargalhada no público

Essa tua sinceridade cômica

Enche a barriga dessa gente de alegria

Enquanto eu esvazio a sua

Sou a sua piada de mal gosto

Sua cena mais trágica

Faço chorar quem faz rir

Te tiro do teu raciocínio

Te juro palavra

Te faço pássaro

E te fuzilo no céu.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O fim.


A audácia de cravar o fim

Pôr as mãos no tempo

E arrancá-lo da sua função

De dividir o passado do presente

Levantar o sonoro NÃO

Emuralhar o beijo

Emoldurar o amor

Embrulhar o que foi

E não levar pra viagem

Secar o que fica

Afinar o que resta

Esfarelar o que sobra

Usar mãos de faca

E cravar o fim.

O fim.


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sábado, 14 de novembro de 2009

Giz Azul



O giz de cera azul desenhava as letras

E ela tentava, delicada, alinhar as linhas

Na parede não-uniforme

Do apartamento não-retilíneo

E a dificuldade se estendia a cada abaixada

E a cada agachada, um equilíbrio

E a cada traço, uma palavra

E no rodapé, um suor...

Ao término, orgulho

Leu a nova estampa do corredor

Letras pra quem passasse passageiro

Poesia pra quem parasse, passageiro

Ousou, escreveu, criou

Olhou, leu, reparou

Entendeu.

Que corredor era aquele?

Onde teria escrito tanto amor?

Com qual permissão?

Pichadora amadora

Escrevendo escondida

No apartamento do vizinho.


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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Abraço de estrada



Cinza céu azul cor de leite

Asfalto brancocinzaazul

Fim de tarde sem lilás

Nublando em sintonia

Opostos no mesmo tom

Uma pintura que se move

De um Picasso triste

Contagiando a estrada

Com alguma doença

Azul não-sadio

Azul como eu.


Deitei no asfalto

Achando que era o céu.


Cinco minutos de atraso

De algum controlador de luz

E com os postes apagados

Eu pude assistir enfim

Céu e asfalto fazendo amor.


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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

As Três Fases Do Amor

1ª FASE: SONETO DA FIDELIDADE, VINICIUS DE MORAES

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



2ª FASE: SOZINHO, DE CAETANO VELOSO

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você, mais ninguém

Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?



3ª FASE:

http://www.youtube.com/watch?v=EWC_B1u0hBE

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Grande Truque

O pássaro sai da cartola, bate no teto e cai. É uma mágica de má qualidade. Tenta se fazer de memorável, faz esforço pra isso. O truque chega a ser vitorioso, e pode ter esse título por um longo tempo, mas se mata sozinho. Se mostra feio, cheio de erros, como um espetáculo teatral no qual a atriz principal não decorou as falas, ou como em uma cena no cinema em que o refletor fica vasando. É a falta de continuidade seca. Começa na promessa da doçura e na leveza das palavras, mas cai na realidade como um pesado avião que se esburracha na pista de pouso. A descoberta do truque é a paixão estatelada. Morta.

O truque só dá um truque. É que as vezes a gente esquece disso.

Truque:

Artmanha, manha, manobra, peça,

falsidade, mentira,

iludir, manipular, engano, astuto,

apresentação falsa, deturpação, exposição falsa, informação errónea,

confundir, desencaminhar, enganar, ludibriar, pregar uma partida, trair, vigarizar

(...)

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Hoje a criança chorou baixinho
com culpa e vergonha
de pedir o colo da mãe...

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Mar


"O Mar é sempre soberano. Qualquer um que mora à beira sabe disso. Qualquer um que mora à beira do abismo. O sal e a água que se espalham lentamente por todos os cantos e poros e frestas corroem, enferrujam e empestam invisível e silenciosamente, pela terra e pelo ar. Tudo é dominado, com o tempo, pelo cheiro, de modo que até os seres que moram à beira-mar demonstram em suas peles , em suas marcas, a vida marítima que eles não podem negar."

"O Prédio, o Tédio e o Menino Cego", de Santiago Nazarian


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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Vozes. Gargalhadas. Amigos. Cerveja. Garçon. Mesa. Bar. Gole. Cerveja. Gole. Cerveja. Olhos. Respiração. Boca. Bochecha. Olá.
Ela. Gole. Cerveja. Ela. Fala. Fala. Riso. Gargalhada. Mão. Toque. Cabelo. Pescoço. Ela. Olhos. Olhos. Levanta. Calçada.
Ele. Ela. Só. Andar. Andar. Andar. Silêncio. Perto. Mão. Cabelo. Perto. Pescoço. Nuca. Boca. Nuca. Bochecha. Boca. Boca. Língua. Peito. Ar.
Abraço. Língua. Língua. Mão. Mais. Peito. Mais. Corpo. Mais. Calor. Mais. Poros. Mais. Mais. Mais.
Carro. Quarto. Cama. Ela. Ele. Ela. Ela. Ela. Perto. Corpo. Língua. Mão. Dente. Dedo. Aperta. Esfrega. Sente. Ela. Mais. Mais.
Mais. Enfia. Mela. Geme. Gruda. Calor. Sua. Suor. Sua. Ela. Sua. Vai. Vem. Vai. Vem. Vem. Vem. Vem. Grito. Gemido. Suspiro.
Cansaço. Sol. Cor. Céu. Dia. Carro. Portaria. Tchau...

... Porque 'eu te amo' não se diz com uma palavra.


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sábado, 8 de agosto de 2009

Brasileiro




Acordo cedo para trabalhar
E chego cedo todo dia lá
Não falto nunca
Que é pra não deixar
Os homens terem do que reclamar


Um dia desses chego do setor
Que sempre tem algum veneno pra jogar
Jogou na cara do supervisor
Que o patrão falou
Que tá sem grana pra pagar

Vai lá
Se quiser falar com ele vai lá
Vai lá
Vai cobrar o seu dinheiro vai lá
Vai lá
É nessa grana que eu vou

O português me disse que não deu
Que a prefeitura ainda não depositou
Agora lá em casa como é que vai ser
Botei o meu moleque pra fazer judô

O japonês disse que lá não tem
Filosofia zen se não tiver dim dim
O senhorio não quer nem saber
Quer levar o dele quando o mês chegar ao fim

Quer dim dim
Quer dim dim
Quer dim dim
Dom dom

Ai dim dim
Que falta que me faz
Eu corro tanto atrás
E você nunca vem pra mim

Ai dom dom
Segura mais um mês
Que agora eu vou dançar
Um samba rock que é bom

Samba Rock - Seu Jorge


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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Futuro do Pretérito


Meu dia-a-dia adia o que há dias eu quero dissolver. E essa agonia se eu pudesse eu vendia ou rasgava ou escondia numa sala vazia. A trancaria e fingiria que dela eu me esquecia e que lá já não mais existia o desvio que me desvia. E ela, aborrecida, desmentiria e diria mentiras, só pra sair de lá. Mas eu, convencida e decidida, me distrairia com a minha ousadia, encheria de ar o peito que antes ardia e saberia que da vida e de tudo que eu já vi, só falta a ida.




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domingo, 12 de julho de 2009

Estado de Espírito

Cortando as figuras
Cortando o nó na garganta
Cortando as linhas dos limites
Cortando as pedras, contrariando o jogo
Cortando a pele fina
Cortando a saliva seca que esmaga
Cortando os vínculos
Cortando os cabelos
Cortando os olhos e os laços
Cortando, recortando, cortando de novo...

... Agora alguém me ensina a colar?



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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pela estrada...


A LETRA MAIS IMPORTANTE

"O menino uruguaio Joaquín de Souza está aprendendo a ler e pratica com os cartazes que vê. Ele acredita que a letra P é a mais importante, pois tudo começa com ela:

Proibido entrar
Proibido fumar
Proibido cuspir
Proibido estacionar
Proibido colar cartazes
Proibido jogar lixo
Proibido acender fogo
Proibido fazer ruído
Proibido..."

O Teatro do Bem e do Mal, de Eduardo Galeano.


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