quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

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Dente de dor

Junto à lágrima que

Escorre...

Doída, doída, coitada

Chega ao queixo sem esforço

E os dentes ali, arreganhados

Joelhos no chão

Berros no teto

A culpa e o sofrimento

Repartindo o mesmo cômodo

Parede-teto-chão

A tinta que cobre a poesia

O lado da cama agora é meio

A parte que foi parte o que fica

Mas se o que fica é o fim e é no fim que se acaba

Não se pode reparar o que partiu

Porque o que parte já não há

E o que não há já não pode se partir

O preço da moradia é o choro

Lá se vem uma outra lágrima de companhia

E mais outra, e outra...

Todas rolando na dor, juntas

Compadecendo-se entre si

A segunda vê a primeira se suicidando olho a fora

E atrás se também joga

Toda gota nasce pra morrer

E se a traição humana existe

As lágrimas sabem reparar por nós:

Elas secam na fidelidade.



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8 comentários:

Pequena :) disse...

Deixa a lágrima curar o que ficou. Deixa lavar, limpar. Para depois (re)começar! ;)

Anônimo disse...

São escolhas que se fazem... O que é mais sofrido? O que se tem? O que se tinha? As vezes a solução pra todos os nossos problemas, trazem mais problemas insolucionáveis... Sofrimento. São escolhas...

Bruna Savaget disse...

..as lágrimas nunca nos faltarão...são as nossas companheiras fiéis e inseparáveis...levam dor e trazem amor...

polegarzinha disse...

... e tudo termina num sorriso entre lágrimas, sinceros de paz.

Ludmilla disse...

Adorei como tudo ficou. Adorei o blog e as palavras. Estou seguindo.

Jorge Oliveira disse...

Que maravilha!
Estou encantado.
As lágrimas mais poéticas dos últimos tempos.

Le Savoldi disse...

Linda poesia! Uma rima perfeita e sincera... uma lágrima de todos. E, lembre-se, "todo fim também é um começo". PARABÉNS, meu anjo!

Sinara disse...

às vezes quando se perde se ganha... no "fim-das-contas" O fim sempre é o primeiro passo p/ o começo de uma nova história!
É necessário Limpar a "gaveta" e deixar o espaço p/ começar a arquivar coisas novas.